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22 janeiro 2016

CORAGEM

A vez da coragem


Mino Carta e Luiz Gonzaga Belluzzo, na Revista CartaCapital





Desde a vitória eleitoral de Dilma Rousseff em 2014, CartaCapital, nesta e em muitas outras das suas páginas, aponta a única saída possível para a crise econômica que humilha o Brasil: crescer e crescer. O grande exemplo é o New Dealrooseveltiano, inspirado por lord Keynes, mas vale reconhecer que o presidente dos EUA contava com instituições sólidas e com uma base popular politizada. Mais ou menos o contrário da situação atual no Brasil.
Temos Executivo, Legislativo, Judiciário? Cabem ponderáveis, desoladoras dúvidas. Um juiz da província, um punhado de delegados de polícia e de promotores assumem tranquilamente o poder diante da indiferença governista e do comando da PF, enquanto um presidente da Câmara inequivocamente corrupto até hoje comanda a manobra golpista doimpeachment de Dilma Rousseff, legítima presidenta. Está claro, porém, que ela somente, na qualidade de primeira mandatária, tem autoridade para reverter a rota, já a trafegar em pleno desastre.
O tempo que lhe sobra para agir é escasso, é bom sublinhar. O começo da ação tem de se dar antes do início do ano brasileiro, ou seja, depois do Carnaval, conforme nossa grotesca tradição. Caberia a Dilma partir de imediato para o mesmo gênero de investimento público que em 1933 colocou Roosevelt no caminho certo para estancar os efeitos do craque de 1929.
Ao se mover com esse norte, a presidenta teria de enfrentar as iras do chamado mercado, o onipresente Moloch, espantalho do tempo e do mundo, onde, debaixo da sua hegemonia, pouco mais de 270 famílias detêm o equivalente a 50% da riqueza do resto da humanidade. Para decisões de tal porte, de tamanha ousadia, exigem-se coragem, bravura, desassombro além dos limites. A questão é saber se o governo tem estatura para chegar a tanto.
Por ora, é doloroso constatar que o Executivo se deixa acuar, em primeiro lugar pela mídia e por quem esta apoia e protege. Está provado que toda tentativa de mediar, compor, conciliar, fracassou. Há tempo o governo exibe uma assustadora incapacidade de reação, a beirar a resignação. A quem mais, senão a Dilma, compete salvar o País? Creio não exagerar no emprego do verbo.
Pouco importa quanto o FMI propala a nosso respeito. O próprio Banco Central mostra-se agora mais atento às pressões do Planalto do que às do Fundo (leia, logo abaixo, as observações de Luiz Gonzaga Belluzzo). O Brasil dispõe de recursos, a despeito do abandono a que foi relegada a indústria, maiores de quanto supõe a feroz filosofia oposicionista. Por exemplo, a chance de produzir petróleo a 8 dólares por barril, como se lê na reportagem de capa desta edição.
A tarefa que o destino atribui à presidenta é grandiosa e empolgante e lhe garantiria um lugar decisivo na nossa história. Os cidadãos de boa vontade, abertos a um diálogo centrado nos interesses nacionais, hão de esperar que Dilma encontre a força interior para agir.

Em luta contra o Monstro

Nos últimos meses, alguns membros do Copom assopraram um aumento de 50 pontos na já alentada taxa Selic. Às vésperas da reunião do dito Conselho, escudado nas previsões do FMI sobre o PIB brasileiro, o presidente Tombini deu sinais de moderação. Na quarta-feira 20, o Copom manteve a Selic em 14,25%.
A franquia local dos Mestres do Universo manifestou seu aborrecimento. Os Senhores da Finança responderam às trapalhadas de comunicação do dr. Tombini & cia. com antecipações que preconizam elevações brutais da taxa de juros para 2016. A curva de juro longa empinou de forma nunca dantes observada.
Os próximos capítulos da novela “Manda Quem Pode, Obedece que tem Prejuízo” serão certamente dramáticos. Os mandões não arrefecem seu apetites travestidos de sabedoria científica.
As taxas de juros de agiota desempenham a honrosa função de tesouraria das empresas transnacionais sediadas no País, travestindo o investimento em renda fixa com a fantasia do investimento direto. Trata-se, na verdade, de arbitragem com taxas de juros: as subsidiárias agraciadas com os juros do dr. Tombini contraem dívidas junto às matrizes,  aborrecidas com os juros da senhora Janet Yellen ou do senhor Draghi.
Tombini
Selic na mesma, desafio aos Mestres do Universo (Antonio Cruz/ABr)
Essa arbitragem altamente rentável e relativamente segura conta com a participação dos nativos “desanimados”. Juntos, engordam o extraordinário volume de “operações compromissadas” – o giro de curtíssimo prazo dos recursos líquidos de empresas e famílias abastadas.
Aprisionada no rentismo herdado da indexação inflacionária, a grana nervosa “aplaca suas inquietações”, diria lord Keynes, no aluguel diário dos títulos públicos remunerados à taxa Selic.
A eutanásia do empreendedor é perpetrada pelos esculápios do rentismo. A indústria e a industriosidade vergam ao peso dos juros elevados, outrora em contubérnio com câmbio sobrevalorizado. A inflação dos preços administrados e a desvalorização cambial sustentam a indexação. O espectro do passado assombra o futuro. A irreversibilidade do tempo histórico aflige os que acreditam num futuro sem passado.
A economia global governada pela finança é um monstrum vel prodigium, fruto do cruzamento da mula sem cabeça com o bicho-preguiça. 



06 janeiro 2016

OTIMISMO E PESSIMISMO

Más notícias, fartura em 2015


Rolf Kuntz, no Observatório da Imprensa




Se a má notícia é a única notícia de fato, como afirma um velho aforismo,  jornalistas de economia tiveram no Brasil um ano de fartura. O balanço de 2015 foi essencialmente um inventário de estragos.  O país chegou a dezembro com as contas oficiais em frangalhos, dívida pública em alta, inflação acima de 10%, retração econômica de mais de 3% e uma crise política sem solução à vista. “Brazil’s fall” (Queda do Brasil) foi título de capa da última edição da revista britânica The Economist.
Além dos danos também foi registrado um esforço de reparação. O pagamento de R$ 72,4 bilhões de pedaladas fiscais foi assunto de primeira página de três grandes jornais – Estado de S. Paulo, Globo e Folha de S. Paulo – no último dia do ano. O governo decidiu liquidar esse valor de uma vez, segundo a explicação mais citada,  para reduzir o risco de impeachment. Se o lance terá esse efeito só se verá nos próximos meses. Mas quantos leitores conhecem de fato a acusação contra a presidente Dilma Rousseff?
Uma boa explicação apareceu raramente nos jornais, tevês e rádios. As pedaladas foram quase sempre descritas como atraso de pagamentos devidos ao BNDES, ao Banco do Brasil, à Caixa e ao FGTS. Em todos os casos, o Tesouro teria retardado a transferência de verbas destinadas a programas oficiais. Mas onde estaria o crime de responsabilidade?
É difícil entender por que um atraso de pagamento, ou de repasse de verba, pode ser considerado um delito punível com a perda de um posto político. O castigo parece desproporcional, e talvez fosse, mesmo, se o deslize do governante fosse apenas um calote temporário. Além disso, seria motivo suficiente para o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendar a rejeição do  relatório do Executivo?
A história é só um pouco mais complicada, mas poucas vezes foi exposta com clareza nos meios de comunicação. Em 2012 o governo atribuiu a si mesmo, por decreto presidencial, o direito de só liquidar as contas com os bancos oficiais dois anos depois de apurado o valor devido. Em outras palavras: o governo inventou um meio de se fazer financiar pelos bancos estatais. Mas a Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada em 2000, proíbe esse tipo de financiamento.
Quem sabe um pouco da história econômica e administrativa do Brasil até os anos 90 deve conhecer os  desmandos políticos e fiscais cometidos com instituições financeiras do setor público. Bancos e caixas eram importantes ferramentas eleitorais e instrumentos de poder tanto pessoal quanto partidário. Quando o Plano Real foi lançado, muitas dessas instituições estavam quebradas ou muito perto disso. O socorro financeiro a Estados teve como contrapartida, em vários casos, o fechamento dessas instituições.
Funcionários do Tesouro logo identificaram o risco das pedaladas fiscais. Advertiram os superiores, mas seus avisos foram desprezados. A história das advertências foi muito bem contada, com base em declarações e documentos, em reportagem de Leandra Peres no Valor. Nenhuma discussão sobre as pedaladas e sobre a deliberada violação da Lei de Responsabilidade Fiscal, nesse caso, será completa sem uma referência a essa história.
Mas por que descrever o episódio como um caso de pedaladas? Os jornais poderiam ter esclarecido – ou explicado mais cuidadosamente – esse detalhe. A palavra já era usada há um quarto de século, pelo menos,  para descrever formas de levar adiante um negócio em condições financeiras desfavoráveis.
Os truques mais comuns consistiam em assumir novas dívidas para liquidar compromissos de vencimento mais próximo ou em atrasar certos pagamentos para cuidar de outros. A imagem ciclística tem um sentido claro, quando se percebe o lance financeiro. Pedala-se para manter a bicicleta em movimento e para evitar a perda de equilíbrio. Em outros tempos, o substantivo pedalada e o verbo pedalar foram usados no imprensa para descrever jogadas financeiras malsucedidas e nem sempre muito limpas.
A novidade, agora, é a inclusão da pedalada na gestão rotineira das finanças federais. Neste caso, no entanto, há uma particularidade politicamente importante: o recurso ao financiamento do Tesouro por instituições financeiras federais. É prerrogativa dos congressistas propor e aprovar outro entendimento desses fatos. Mas é tecnicamente complicado negar a ocorrência daquele financiamento e, portanto, a violação da Lei de Responsabilidade Fiscal.
A notícia do pagamento daqueles R$ 72,4bilhões foi parte de um enorme conjunto de informações sobre a crise. Boa parte dos números disponíveis, na semana final do ano, cobria o período até novembro. Mas esses dados eram suficientes para mostrar mais um ano perdido e, quase certamente, para anunciar pelo menos mais doze meses de enormes dificuldades.
De janeiro a novembro o setor público acumulou, em todos os níveis da administração, um déficit primário de R$ 39,52 bilhões – sem contar, portanto, o custo dos juros. Todos os jornais deram destaque ao desastre fiscal e acentuaram um ponto politicamente sensível; com as operações de dezembro  e com o pagamento de mais de R$ 70 bilhões de pedaladas,  seria possível manter o resultado primário dentro do novo limite negociado com o Congresso? Esse novo limite é um déficit primário de R$ 119,9 bilhões em 2015.
Todos os jornais destacaram esses pontos, mas, como sempre, deram pouca importância ao resultado nominal, calculado com inclusão dos juros. Em 12 meses o déficit nominal do setor público bateu em 9,3% do produto interno bruto (PIB), mais que o triplo do limite prescrito para a União Europeia, 3%. Na média, o déficit fiscal dos europeus deve ter ficado abaixo desse limite, em 2015.
Em todo o mundo poucos países têm uma situação fiscal parecida com a do Brasil, quando se considera o resultado geral das contas públicas. Mas também esse detalhe tem sido pouco explorado, apesar de seu valor informativo.
Pouco se avançou, no fim de ano, em projeções para 2016. Os jornais continuaram dependendo principalmente das estimativas de instituições financeiras e consultorias, coletadas semanalmente pelo Banco Central na pesquisa Focus. A mediana das projeções divulgadas no dia 28, segunda-feira, indicou para o novo ano uma contração econômica de 2,81% . Será um resultado desastroso depois da recessão de 3,7% estimada para 2015. A inflação, segundo essas fontes, deve recuar de 10,7% para 6,86%, continuando, muito acima da meta de 4,5% e também do limite de tolerância de 6,5%.
De resto, cada nova notícia tem sido acompanhada, quase invariavelmente, de uma previsão ruim. Exemplo: o novo salário mínimo, R$ 880, deve abrir um buraco de R$ 2,9 bilhões no Orçamento de 2016, porque o custo para a União deve ultrapassar a estimativa já embutida nas contas. Resta para os otimistas, no entanto, uma esperança. Nos últimos cinco anos os fatos foram sempre piores que as projeções iniciais. Como as previsões para o novo ano já são muito ruins, talvez a ordem finalmente se inverta.



01 setembro 2015

PETRÓLEO: SÓ UM TOLO ABRE MÃO DESSE NEGÓCIO

Petróleo repõe perdas de agosto em dois dias e deixa “sabidos” pendurados no pincel

crude
O preço internacional do petróleo, que havia subido 10% na sexta-feira, subiu outros 10% hoje, em relação á cotação em que fechou a semana passada.

As perdas, imensas, do mês de agosto foram “zeradas” em 48 horas.
Uma semana atrás, Celso Ming, colunista de economia do Estadão, reproduzia a opinião de mais um “sabido” do mundo dos negócios, o especialista norte-­americano em Petróleo David Kotok, presidente da Cumberland Advisers, dizendo que o petróleo ia baixar até 15 dólares o barril, quando estava a 40 dólares ( e chegou a US$ 38).

Em dois dias, as previsões do sabichão viraram pó, com o petróleo tipo Brent passando de  US$ 52 dólares e o WTI (de forma simplificada, o americano) a US$48.

A história da energia – e, com ela a do poder mundial – está há mais de 50 anos fundada no petróleo.

A energia nuclear, única aposta energética que tendeu a se estabelecer como  ameaça energética à hegemonia do petróleo, mostrou-se apenas capaz de suprir parcela pequena das necessidades de energia, seja pelas complicações técnicas, segurança, problemas acidentais e oposição política, seja porque os EUA e seus aliados nunca permitiram que se estabelecesse, de forma global, o conhecimento e o uso de uma tecnologia que tem como um de seus produtos o poder militar representado pelo “subproduto bomba atômica”.

Não é possível tratar a política do petróleo, portanto, com base em movimentos de “espasmo” de um mercado em que suas torneiras são controladas pela política e, ainda mais, sujeito a todo tipo de turbulência: guerras, acidentes, tensões….

Este é o erro dos “sabichões” – muito mais apropriado seria chamá-los de espertalhões – que vivem apregoando que o petróleo “não valerá nada” e que usam aqui este argumento, tão ingênuos, para tentar desvalorizar nosso pré-sal e viabilizar politicamente sua entrega às multinacionais.

É o “quem desdenha quer comprar”, que vale desde os tempos dos avós de nossos avós.

Ou, por acaso, você viu a Shell, a Chevron, a Total e outras saírem por aí dizendo: olhem, eu não estou valendo nada, vocês não querem me comprar?

Petróleo continua sendo o maior negócio do mundo e só um tolo abre mão dele.



OS JUROS E O DÉFICIT

R$ 35 bi de déficit. E R$ 452 bilhões de juros. Como fechar as contas com um “ajuste” assim?

jurosdeficit
O Governo anuncia sua proposta orçamentária para 2016, prevendo um déficit de R$ 35 bilhões, ou 0,5% do PIB.

Ruim, mas não mortal. A maioria dos países europeus, hoje – e já há tempos – têm déficits orçamentários imensamente maiores. Os EUA, nem se fala: estão comemorando a queda de seu déficit para “apenas” US$ 431 bilhões – R$ 1,55 trilhão, ou 2,4% do PIB americano.

Mas como fazer superávit – em tese para pagar encargos da dívida pública e reduzir seu montante – se o Banco Central, com apoio do Governo, eleva sistematicamente a taxa que incide sobre esta dívida e obriga o país a, hoje, despender com juros  R$ 452 bilhões, ou  7,92% do PIB?
Não é possível fazer superávit sem atividade econômica que gere arrecadação e é impossível sustentar a atividade econômica se, além da paralisia provocada pela Lava Jato (e que se estende muito além das obras com suspeitas) e da crise internacional, a própria área econômica do Governo diz  -por palavras e atos – que quer fazê-la cair em nome de um combate a inflação que, francamente, só um louco pode dizer que, no Brasil, tem na demanda um fator de elevação?

É hora de o Governo brasileiro ver que, ao lado do arrocho necessário nos gastos públicos, é preciso que se restaure a confiança na economia, o que não se dá com uma simples conta de superávit ou déficit público, mas com a retomada de um mínimo de dinamismo nos investimentos e no consumo das famílias.

Os comentaristas econômicos, que gostam tanto de comparar esta questão do superávit a “uma família que gasta mais do que ganha”, nunca dizem que, mesmo que a família gaste menos, jamais haverá equilíbrio se seus ganhos (neste caso, a arrecadação) minguarem à penúria.

O Brasil não quer se negar aos capitais, nem pretende que eles invistam em títulos públicos e financiem o governo a juros irrisórios.

Mas tem de ter coragem de se negar a ser um playground do capital.

Que não vai fugir do Brasil, não aquele que mais importa, o que traz empresas, produção, emprego e desenvolvimento.

O outro, corre para os bonds do Tesouro Americano por qualquer tremor na China ou 0,5% de juros do Federal Reserve.

E olhe lá, porque o Brasil é bom negócio.

Mas, para isso, o Governo deve abandonar a “síndrome do molambo”, esta sua compulsão irresistível de remendar situações e assumir claramente suas metas.

Assumir e fazê-las factíveis, porque prometer, como se fez, superávit de 1,2% do PIB e, ao mesmo tempo, eliminar qualquer possibilidade de obtê-lo por forçar durante seis meses uma “aceleração da recessão”, com sucessivos aumentos da taxa de juros,  é algo incompreensível.

O Brasil vei se reequilibrar andando, e este deve ser o esforço. Não irá, porém, fazê-lo parando.



28 agosto 2015

BRASIL E A GRÉCIA

Mas se a política econômica não muda...


Mino Carta, na Revista CartaCapital






Dilma Rousseff perguntou aos entrevistadores dos jornalões nativos na segunda 24: “Nós não queremos a Grécia, queremos?” Acabava de anunciar que uma reforma da Previdência Social se faz necessária, para o bem do povo brasileiro, excluídos, suponho, os possuidores de caríssimos planos de saúde, integrantes de uma categoria especial, embora também façam parte da nação. Ao menos teoricamente.

Na terça 25, tivemos ciência de que ninguém se surpreendeu entre os entrevistadores com a pergunta da entrevistada, a qual implica, obviamente, um não peremptório, ao admitir a incumbência de um risco grego a ameaçar o Brasil. Por que, dona Dilma? O País não figura na União Europeia, não tem Angela Merkel e seu ministro das Finanças nos calcanhares e, bem ao contrário da Grécia, é potencialmente um dos mais ricos do mundo, graças, antes de mais nada, a extraordinários favores da natureza.

O risco é outro. A prosseguir a política econômica em curso, caminhamos para o suicídio de uma nação, evento de dimensões históricas nunca dantes navegadas. Emerge da memória um episódio a que já me referi tempos atrás. Faz 37 anos um místico americano do fanatismo do Apocalipse doutrinou 917 crentes até levá-los ao suicídio para lhe seguirem o exemplo, fiéis na vida e na morte. 

Dilma não é Jim Jones, mas quem quiser reparar no gráfico que ilustra estas páginas, perceberá que o caminho está traçado. Que um país de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e apenas 200 milhões de habitantes, pouquíssimos para tanto espaço, dono de terras férteis e riquezas imensas nas suas entranhas, sofra a crise atual, avassaladora, é desplante inominável.

Imaginar que a culpa é de Dilma Rousseff e dela somente, como milhões acreditam, é prova de uma insensatez sem limites, nascida da ignorância e da parvoíce, e também da credulidade e da despolitização, quando não do ódio de classe no caso de quantos não sofrerão com a reforma da Previdência Social.

A história conta, em proveito de quem ainda sabe ler, que a culpa abarca uma porção maior da sociedade brasileira, muito maior do que governantes contingentes. Refiro-me às chamadas elites, moradoras da casa-grande, e dos aspirantes a inquilinos, uns e outros empenhados até hoje em manter de pé a vivenda senhorial a par da senzala.

A origem do mal está na permanência de um sistema inalcançado pelo Iluminismo e seus efeitos, embora convivamos com computadores e celulares (que no Brasil funcionam pessimamente). Em primeiro lugar, a insensatez reinante resulta do desconhecimento da Razão, com R grande mesmo, imposta para a modernidade pelo século das luzes.

Aquele século XVIII concentra os ideais de três revoluções, a francesa, a inglesa e a americana, é o século de Montesquieu e de Adam Smith, dos Founding Fathers e da Tomada da Bastilha. O pensamento então revolucionário moldou o mundo, mas não aportou no Brasil até hoje. Parece que, por obra e desgraça do neoliberalismo, há décadas o mundo se distancia do pensamento iluminista, mas esta é outra conversa.

Fiquemos no Brasil. Houve alguns, raros, momentos a justificar esperança. A eleição de Getúlio em 50. No final dos anos 50 e começo dos 60. A eleição de Lula. Sempre damos para trás, de sorte a recompor a situação que parecia superada. É por isso que somente a conciliação das elites, vetusto instrumento dos autênticos donos do poder, manterá Dilma na Presidência, sem detrimento das pressões destinadas a cercá-la e a acuá-la até o fim do segundo mandato.

Não é descartável, em todo caso, a probabilidade de turbulências de intensidade variável em meio à monumental crise de duração prevista (talvez pelos otimistas) em dois anos. A incógnita diz respeito à situação social precipitada pelo aperto econômico que devolve à miséria aqueles que haviam saído dela durante o governo Lula.

ROIC-das-companhias

Justa apreensão suscita a disseminação das favelas, a começar por São Paulo. Prever que os índices de criminalidade irão in crescendo é de praxe em um país cada vez mais desigual, onde no ano passado mais de 60 mil cidadãos morreram assassinados. Temos a chance de dilatar o número dos tombados. Haverá excelentes ocasiões para uma contribuição à chacina por parte dos fuzileiros da polícia.

Se a senzala se espalha, há inquilinos da casa-grande entregues a outro gênero de vicissitude. Volto a chamar a atenção para o gráfico: explica também os tormentos de inúmeros empresários. A desvalorização das indústrias abandonadas ao seu destino fermenta inexoravelmente. A do aço, para citar um exemplo, já perdeu 70% a 80% do seu valor. Ao comparar as trajetórias do gráfico, anotem o tamanho do desastre. 

Dilma convoca os jornalões e faz seu mea-culpa, muito sui generis, bom que se diga. Erramos, sim, admite. No entanto, a política econômica não muda, donde as linhas do gráfico prosseguirão no rumo já definido, estacionária a azul, para baixo a vermelha. Jamais seremos iguais à Grécia de Tsipras, nem por isso viveremos melhor. Não resisto, porém, à tentação de perguntar aos meus intrigados botões: até onde vai a sinceridade do mea-culpa? Na zona situada entre o fígado e a alma, Dilma acredita mesmo ter errado? Não respondem, mas percebo neles uma expressão de dúvida aguda.

Na moldura dos eventos, a Operação Lava Jato é, de certa forma, muito menor do que a corrupção. Não esta de que se cogita, a de sempre. Nascida há cinco séculos da impunidade, reforçada pela construção da casa-grande e da senzala, ou, se quiserem, de sobrados e mocambos, a corrupção à brasileira é mal endêmico.

Própria do jogo do poder, já vimos navegar neste mar icebergs mais imponentes que o petrolão, e nem se fale do chamado “mensalão” petista. Neste domínio, os tucanos são imbatíveis, mas a impunidade os bafeja automaticamente, digamos assim. De fato, o PSDB é o clube recreativo da casa-grande.

A indignação, estimulada em todas as camadas da população pela campanha midiática e por seus ecos difusos, transcende a percepção de que o mau costume viceja largamente também entre os indignados. O cartaz da foto ao lado, a prometer a solução para quem sofreu a suspensão da habilitação a dirigir, anuncia descaradamente a tramoia, garantida obviamente pela compra da complacência da repartição competente.

A 100 metros da Avenida Paulista, em uma esquina paulistana frequentadíssima, altamente credenciada à sedução. É um estandarte da amoralidade coletiva. Quem entende como e por que o sistema está podre e se vale dele, ou é hipócrita ou covarde, salvo a minoria que reage contra o alvo certo.  Quem não se dá conta, é porque vive no limbo e aceita qualquer vexame, como as chibatadas de antanho.




18 maio 2015

O DISSE ME DISSE DO PREÇO DA GASOLINA

Gasolina cara ou barata? O Brasil está exatamente no meio, entre 170 países.

 
 
Fernando Brito, no Tijolaço
 
 
 
suazmini
Toda hora você escuta que o Brasil está “lá em cima” nos índices de deficiências: em educação, saúde, burocracia, etc. Muitas vezes é verdade.
Mas escuta e lê nas redes sociais (e às vezes no jornal) que a gasolina brasileira está entre as mais caras do planeta.
Como esta discussão veio à tona depois que a Petrobras apresentou um ótimo resultado em seu balanço, expurgado do que devia e do que não devia ter sido cortado, algumas pessoas atribuíram isso ao preço da gasolina aqui.
Como eu tenho uma vaga ideia de que o papel do jornalismo é informar – e, ao opinar, fazê-lo com base em fatos – já tinha conseguido alguns dados sobre o assunto.
Agora, com a ajuda de um leitor, publico um aplicativo que permite saber o  preço de gasolina e diesel em qualquer país do mundo (são 170 na lista), em qualquer moeda que se deseje.
O Brasil está exatamente no meio da tabela, no preço de bomba.
Acima dele, além dos Estados Unidos, onde gasolina é uma espécie de deusa nacional, a imensa maioria é dos países que nadam em petróleo.
Escolhendo o país e a moeda, dólar ou real, você pode chegar às suas conclusões, sem se emprenhar pelos ouvidos com a história de que a gasolina – cuja matéria prima, o petróleo, custa a mesma coisa em qualquer parte do mundo, exceto para as petronações. E convém lembrar que apenas 1/3 do preço da gasolina é o valor pago à Petrobras para produzi-la
 
 

24 abril 2015

O VIÉS NEGATIVO

A profecia que devora o profeta


Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa



Jornalistas que foram demitidos da Folha de S. Paulo fazem circular uma carta do jornal, assinada pelo editor-executivo Sérgio Dávila, justificando os cortes ocorridos na semana passada. Como se sabe, o diário paulista vem reduzindo sua força de trabalho desde janeiro. O Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo considera que se trata de uma tática para evitar que se configure uma demissão em massa, caso em que as entidades sindicais precisam ser avisadas com no mínimo 30 dias de antecedência.
Na linguagem peculiar dos momentos de crise, o texto começa assim: “A Folha realizou nos últimos dias ajustes em sua equipe. A redução é efeito da crise econômica que afeta o país e atinge a publicidade”.
Esse é o ponto central a ser discutido neste espaço, mas há outras questões levantadas na mensagem que merecem atenção. Por exemplo, informa-se que equipes serão reagrupadas e outras mudanças deverão ser anunciadas. O executivo chama o adensamento de grupos editoriais menores em equipes maiores – caso de Ciência e Saúde, que se agrega ao caderno Cotidiano – de “mudanças morfológicas”.
O jornal promete que essas futuras movimentações “não envolverão novos ajustes” – expressão que ameniza a dureza das demissões. O objetivo, afirma, “é tornar o jornal mais eficiente para atender as demandas do leitor bem como otimizar o funcionamento da redação”.
O comunicado assegura que a Folha “continua líder em seu segmento, seja em circulação, audiência ou fatia publicitária, faz parte de uma empresa sem dívidas, que integra o segundo maior grupo de mídia do país, e preserva sua capacidade de investimentos editoriais”. Portanto, é de se concluir que se trata de dificuldades circunstanciais.
Na lógica do negócio, quem paga pela circunstância desfavorável é sempre o jornalista, não o executivo que errou na estratégia ou na gestão da empresa. No caso das empresas jornalísticas, pode-se afirmar que um dos elementos mais interessantes desse jogo é o fato de que a imprensa tradicional tem se dedicado, ano após ano, a convencer o leitor de que a economia brasileira está no caminho errado. Quando o anunciante, diante de tanto pessimismo, resolve poupar seu dinheiro, cumpre-se a profecia.
O viés negativo
Há sempre mais de uma maneira de dar uma notícia, como se diz na velha anedota sobre o gato que subiu no telhado. Por exemplo, se o leitor procurar o mesmo assunto em duas fontes distintas, poderá encontrar duas versões diferentes do mesmo fato, apesar da grande homogeneidade que se observa nos principais veículos de comunicação do Brasil. No caso do noticiário econômico, predomina um viés negativo, mas mesmo nesse contexto pode-se fazer interpretações variadas.
Vejamos, seletivamente, como os principais diários de circulação nacional abordam nas edições de sexta-feira (24/4) um mesmo assunto: o índice de emprego. O Globo coloca o tema no rodapé da notícia sobre o projeto de terceirização, com o seguinte subtítulo: “País volta a gerar empregos formais”. O Estado de S. Paulo traz reportagem de tamanho médio, na parte inferior de uma página onde o destaque é também a terceirização. Diz o título: “Economia brasileira cria 19 mil vagas de emprego em março”.
Observe-se, agora, como a Folha de S. Paulo trata os mesmos indicadores. No alto da página, com dois infográficos que mostram a queda da oferta de empregos no trimestre e a recuperação ocorrida no mês de março, o leitor se depara com o título: “Emprego formal tem pior 1º trimestre desde 2002”.
Em termos de comparação, leia-se que o especialista Valor Econômico publica o seguinte título: “Mesmo com março melhor, emprego é negativo no 1º trimestre” – e a reportagem, mais equilibrada, registra uma diversidade maior de interpretações de analistas e autoridades.
Não se está aqui a dizer que a imprensa deve sempre procurar o lado mais otimista dos acontecimentos, porque uma de suas funções é manter a sociedade alerta tanto para oportunidades como para riscos ao seu bem-estar. O que, sim, se pode conjecturar, é que tem razão o ministro do Trabalho, citado nas reportagens, quando afirma que o discurso de que o país está em crise, repetido desde a campanha eleitoral do ano passado, afeta a criação de empregos.
Se o leitor tiver acesso aos três diários de circulação nacional, mais o Valor Econômico, vai entender o seguinte: a oferta de empregos caiu no terceiro trimestre mas se recuperou em março; os contratos para grandes obras estão sendo retomados, o que pode conter os cortes na construção civil; a publicação do balanço da Petrobras é vista pelo mercado com otimismo; o setor de serviços segue em pleno crescimento.
Nas redações, as profecias catastrofistas devoram os profetas.
 
 
 

24 março 2015

ÁGUA NA FERVURA

Uma chance para o consenso


Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa



Os jornais destacam, na terça-feira (24/3), a decisão da agência de avaliação de riscos Standard&Poors de manter a nota de grau de investimento do Brasil, com perspectiva estável. A decisão equivale a considerar que o país é bom pagador e que as dificuldades econômicas serão superadas a tempo de evitar que o desgaste das contas públicas afete a capacidade da economia nacional de atrair investimentos estrangeiros.
Há muitos aspectos a serem observados nessa notícia, sendo um dos mais interessantes o fato de que os grupos políticos que antes da eleição pediam mudanças em alguns aspectos do modelo econômico agora se calam. (Ver, sobre esse assunto, artigo de Alberto Dines, aqui).
A imprensa, de modo geral, deu suporte a essas reclamações, durante a campanha eleitoral, oferecendo espaços generosos para os defensores de um ajuste fiscal radical. Portanto, era de se esperar que os jornais citassem aquelas reivindicações para ajudar o leitor a formar uma opinião sobre a situação presente.
Acontece que o caso não é assim tão simples.
A avaliação da agência de risco considera que as medidas propostas pelo governo serão aprovadas pelo Congresso, mesmo sob a turbulência das denúncias na Operação Lava Jato, que ameaçam atingir os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.
O raciocínio dos técnicos que elaboram essas avaliações leva em conta que os grandes sistemas funcionam, no longo prazo, no sentido de seus interesses – e o sistema político é balizado pela economia. Assim, se o sistema do Congresso entender que a permanência de Cunha e Renan pode significar a secura das tetas da vaca-Estado, sacrificam-se os sacerdotes para salvar o templo.
O relatório assinado pela analista Lisa M. Schineller, de Nova York, afirma que “a correção política desafiadora atualmente em curso vai continuar obtendo o suporte da presidente Dilma Rousseff e, em última instância, o do Congresso, assim restaurando gradualmente a credibilidade política perdida e abrindo caminho para perspectivas de crescimento mais fortes no próximo ano e adiante”.
Água na fervura
Já se disse neste espaço que, para entender a realidade, é preciso ir à fonte original. Por isso é interessante acessar o site da Standard&Poors (ver aqui).
Os jornais não reproduzem os principais trechos da análise, o que ajudaria o leitor a perceber que há um grande exagero no noticiário sobre a crise econômica. O relatório também esclarece que boa parte dos problemas econômicos tem origem ou é influenciada pelo noticiário sobre corrupção na Petrobras – e oferece uma visão completamente oposta à abordagem escandalosa e pouco informativa feita pela imprensa brasileira.
Para a Standard&Poors, “a investigação na Petrobras, seus fornecedores e políticos envolvidos, salienta a força da estrutura institucional do Brasil, que inclui uma fiscalização independente”.
Por que a imprensa fica apenas no enunciado da decisão da agência – que, apesar de ter errado feio antes da crise financeira dos Estados Unidos, em 2008, é altamente considerada pelos investidores? Porque a análise favorece o governo brasileiro, mostra otimismo quanto às perspectivas de superar as dificuldades no curto prazo e projeta a retomada do crescimento já para 2016, desmentindo o que vem sendo alardeado pela maioria dos articulistas com espaço na mídia tradicional. Não se pode esconder que muitos desses analistas já vinham falando em “década perdida”.
Registre-se, por exemplo, o que diz o relatório sobre o caso da Petrobras: “O fato (de) que o sistema está investigando as ações de indivíduos poderosos, tanto no setor privado quanto público, é um testemunho da força institucional dessa jovem democracia”. Em seguida, o texto se refere à necessidade de que o “estável sistema político” demonstre que pode obter um consenso para a reforma do setor público ou para simplificar a maneira como se faz negócios no Brasil.
O cenário é, portanto, menos pessimista do que a imprensa faz acreditar, e coloca as forças econômicas na posição de ter que pressionar o Congresso por uma resposta rápida às propostas do Executivo. Por outro lado, é preciso também ouvir as outras forças em jogo – as massas de assalariados que não aceitam cortes nos direitos trabalhistas.
A manutenção do grau de investimento do país joga um balde de água fria na crise alimentada pela mídia e recoloca em termos mais racionais o debate sobre como reconciliar o Brasil consigo mesmo.
 
 
 

01 março 2015

CORRUPÇÃO E SONEGAÇÃO

Por que mídia escondeu a sonegação de R$ 502 bilhões em 2014?

28 de fevereiro de 2015 | 06:00 Autor: Miguel do Rosário, no TIJOLAÇO
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A confirmação de abertura da CPI do Suiçalão no Senado pode ser uma grande oportunidade.
Aliás, doravante podemos até mudar o nome dela para CPI da Sonegação.
Há algumas semanas, o Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), divulgou um estudo em que estimava a sonegação tributária no ano passado em R$ 502 bilhões.
Para efeito de comparação, os estudos oficiais sobre a corrupção no Brasil costumam estimar um prejuízo em média de R$ 70 a 80 bilhões por ano.
Um estudo da Câmara Federal estimou precisamente em R$ 85 bilhões por ano.
A Veja, que tem interesse em apresentar o Brasil como o país mais corrupto do mundo, estima que a corrupção no Brasil atingiu R$ 82 bilhões por ano.
Procurei a informação sobre o estudo do Sinprofaz na grande mídia.
Nada.
Por que “sonegaram” essa informação?
Os procuradores estimam que a redução da sonegação poderia permitir uma queda brutal da carga tributária.
Eu prefiro nem pensar assim.
Prefiro pensar que poderíamos, ao invés de reduzir a carga tributária, aprimorar de maneira extraordinária a qualidade dos serviços públicos oferecidos aos brasileiros.
Esse mais de meio trilhão de reais por ano dá para bancar, para início de conversa, uma revolução na infra-estrutura, construindo metrôs, trens, vlts, novas estradas, portos, aeroportos em todo país.
Por que a mídia abafa obsessivamente as denúncias e os debates sobre a sonegação e evasão fiscal no país, notadamente a maior do mundo, segundo a ONG Tax Justice?
Diante deste quadro, que arrasa as contas públicas nacionais, o escândalo do HSBC oferece excelente oportunidade para combatermos a cultura da sonegação.
A mesma coisa vale para a sonegação da Globo.
As eleições do ano passado, extremamente turbulentas, sobretudo por causa da morte trágica de Eduardo Campos, abafaram um pouco a divulgação dos documentos completos da sonegação da Globo.
Entrem neste post do Cafezinho, baixem os arquivos e me ajudem a estudar o processo da Receita Federal contra a Globo.
Há vários documentos com as assinaturas dos irmãos Marinho, proprietários da Globo.
Não é nenhuma “delação premiada”.
São provas materiais, concretas, de crime contra o sistema tributário nacional.
Um crime cometido por uma concessão pública de TV que ganha bilhões e bilhões de recursos públicos, de todos os governos, municípios, estatais, e todo o tipo de órgão público nacional.
A Globo é a última empresa que poderia sonegar impostos e evadir recursos para o exterior ilegalmente.
E, no entanto, ela fez isso.
A Globo não pode sair impune tão facilmente de uma operação que envolveu a tentativa criminosa de escamotear recursos que pertencem ao povo brasileiro.
Não adianta falar que pagou o Darf.
Evasão fiscal e lavagem de dinheiro não podem ser perdoados porque se pagou uma dívida.
A Justiça e o Ministério Público não zelam, de maneira tão rígida, pelo bem público, a ponto de pretenderem fechar e quebrar todas as grandes empreiteiras nacionais em nome disso?
Por que um zelo obsessivo, até mesmo destruidor, de um lado, e nenhuma disposição para investigar os grandes sonegadores nacionais?
A nossa mídia faz uma campanha sistemática contra os impostos, sem jamais explicitar que a sonegação representa o crime mais lesivo aos cofres públicos.
Por que isso, se a sonegação é a seis vezes maior que a corrupção?
Queremos mais informações sobre o estranho roubo do processo da sonegação da Globo, um roubo que resultou em grande vantagem para a emissora, porque postergou a sua transferência para a esfera criminal do Ministério Público.
Esperemos que a CPI do Suiçação, enfim, abra uma brecha neste mórbido pacto de silêncio da mídia quando o assunto é o principal problema brasileiro, aquele que atinge diretamente as contas públicas nacionais.
Também estamos curiosos para entender porque o PSDB não assinou o requerimento da criação da CPI do Suiçalão?
O PSDB não acha que a sonegação brasileira seja um problema nacional?
E a mídia, por quanto tempo vai bloquear o debate sobre a evasão fiscal brasileira?